E se...as pessoas pudessem realmente escolher...
E se..."ser mãe" fosse levado a sério por todos nós...
E se...não criticássemos tudo o que é diferente...apenas porque é diferente....
Esta foi uma mensagem com alguma dificuldade em ser "parida". Não porque as ideias não sejam solidas na minha cabeça, mas porque não quero cair no erro de criticar o que é diferente...
Não sou a "mãe caseira" típica. Tenho 40 anos, tenho uma licenciatura, tenho emprego (estou em licença sem vencimento) onde sou bem vinda e necessária . Não sou rica, os meus filhos já não são bebés e adoro a minha profissão e o meu trabalho.
Fui mãe pela primeira vez há 14 anos; ainda gravida, decidi que o trabalho por turnos não se conciliava com a minha ideia de maternidade, e mudei para um horario mais convencional. Na altura tive a sorte de ter a minha mãe disponivel para ficar com a minha filha no fim da licenca de maternidade, mas o voltar ao trabalho foi muito dificil. Deixar a minha cria, mesmo que nas mãos que eu confiava mais no mundo, foi doloroso...Acho que o fato de ainda estar a amamentar nessa altura foi muito positivo, porque quando nos reuniamos tinhamos aqueles minutos de pele com pele cheios de intimidade...
O meu filho nasceu passados 6 anos. Nessa alturas as coisas eram já mais complicadas. A minha mãe já não tinha a mesma disponibilidade, havia 2 crianças a quem apoiar, o meu marido iniciou um horario laboral dificil de conciliar e muito francamente matematicamente/financeiramente não era de todo compensador trabalhar...A outra opção seria pagar a alguém para me sustituir em algumas das minhas funções de mãe...mas a mãe dos meus filhos sou eu! Sempre fui "alergica" aos "filhos da empregada", percebo a necessidade, mas esta é uma escolha que não é a minha...Não tenho filhos para os ver dormir...
Aqui
Fizemos ajustes e fiquei em casa com a maltinha...
Hoje sou empregada domestica, serviço de engomadoria, motorista, explicadora, enfermeira, psicologa, cozinheira, doceira, conselheira, gestora, personal shopper,etc,etc 24 horas por dia, 7 dias por semana.
E se....o trabalho de MÃE fosse remunerado?
Aqui Era uma revolução social! Tão importante como a saida das mulheres para o mercado de trabalho. Talvez, essa, fosse a medida que realmente teria consquencias na taxa de natalidade do nosso país, talvez então fosse legítimo pedir contas aos pais pelos filhos que criamos enquanto sociedade. Por enquanto, só nos é permitido assistir ao sono deles, empurra-los para a escola das 7 às 19, encher-lhe a vida de atividades, e o quarto de coisas...e matarmo-nos a trabalhar para ter dinheiro para tudo isso....mas não tempo para eles....E esse o valor do trabalho de uma mãe!
Aqui
Notas importantes: onde está escrito mãe podia perfeitamente estar escrito pai, mas como sou mãe é sobre elas que falo...Apesar de ter feito "sacrificios"(embora eu os veja como escolhas...) para ter esta opção, ainda assim, essa escolha foi-me possivel.
A opção entre estar com os filhos, e alimenta-los, não é uma escolha é uma violencia...