domingo, 13 de abril de 2014

O animal científico

Embora não trabalhe como enfermeira de forma continuada há algum tempo, acho que "o gene da enfermagem" está definitivamente incutido em mim. Fiz durante algum tempo a consulta de saúde infantil, tenho 2 filhos e sou frequentemente o "socorro" de várias amigas, conhecidas e às vezes até de pessoas que não conheço de lado nenhum!
Sou além disso uma crente no processo científico. Acredito, que tal como a democracia, pode não ser perfeito, mas é o melhor que encontramos até agora...    
 Eu até compreendo que os pais se questionem sobre tudo o que diz respeito à sua criança. Acho até, que essa é um atitude sensata e que mostra ponderação por parte dos pais, em não dizer que sim, só porque sim. Acho ótimo encontrar caminhos alternativos e procurar um solução que seja o ideal para o nosso filho.
Toda esta retórica tem por base duas questões que vi faladas na net estes últimos dias: a vacinação e os colares de âmbar para bebes.
A vacinação é uma desgraçada, que trabalha contra ela própria. Quando a nossa criança tem dores, febre, mal estar e nós lhe administramos um qualquer medicamento milagroso, e tudo o que estava errado com o nosso filho miraculosamente desaparece, leva a que para nós, aquela magia seja realmente uma coisa abençoada. A vacinação não trás nada! A criança não tinha nada, foi picada, possivelmente ficou rabugenta e com um bocadinho de "sorte" ainda vai ficar com febre e com o braço dorido...A vacina não cura nada!
O nosso problema, é que como em tantas coisas, temos uma memoria muito má. Já nos esquecemos que se morria das doenças que estão previstas no PNV (Plano nacional de vacinação). Não só se morria, como muitas e muitas pessoas ficavam com uma vida de alguma forma diminuída. Não só se morria como havia epidemias que punham em risco populações inteiras...
A vacinação tem ainda outro ponto muito importante. Nós vivemos em sociedade, para o melhor e para o pior, somos uma espécie gregária. E viver em sociedade envolve regras de convivência: as regras de transito, as regras de boas maneiras, o código penal. Todas estas regras servem para lubrificar as relações sociais, e dar aos indivíduos um mapa dos pontos em que a sua liberdade choca com a dos outros. Eu não tenho nada a opor a que um individuo não vacine os seus filhos, mas isso choca com a liberdade do meu filho que não tem ainda 1 ano (e não foi por isso vacinado contra o sarampo), de ir ao parque, ou de ir buscar o irmão à escola... Acho discutivel que os pais possam fazer roleta russa com a vida do próprio  filho (mesmo que por ingenuidade), mas não vejo discussão nenhuma se a roleta russa for com o meu filho! Ver
A outra questão tinha que ver com outra nova moda: colares de âmbar para bebé. Quem vende e quem recomenda diz que alivia os sintomas negativos do aparecimento dos dentinhos dos bebés. Controla a dor, a baba e a diarreia. Só ninguém me sabe explicar como! Lembram-se, eu sou adepta do método cientifico, eu gosto de saber COMO as coisas funcionam! Já tive um colar desses na mão, e digo já que são bem giros. Mas quando na minha cabeça se associa o colar com o bebe, só vejo engasgamento, estrangulamento ,etc. Já a minha avó dizia que eles nos cegam, e por muitos fechos anti bebé, muitos nós entre contas, eu só consigo ver resultados negativos....E não estou sozinha...Ver...
Para mim, que sofro deste infernal espírito inquisitivo, é muito difícil perceber algumas opções dos pais. Se por um lado questionam(e bem!) a industria farmacêutica, que é apesar de tudo bastante regulada, por outro não têm problema nenhum em acreditar na vizinha, na net ou numas quaisquer bolinhas que não se conhece bem o conteúdo e não sofreram as questões da ciência...

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